sábado, 19 de setembro de 2020

DE VOLTA À CIDADE

 Estou correndo contra todas as noções de tempo/espaço

Sozinha na fruição do mundo como vontade e representação

Buscando alguma coisa, para sim para não

Preparada para todas as idiossincrasias (minhas) e dos outros,

Esperando o aparecimento da placa “só para loucos”,

Hesse nas veias enquanto encho uma bolsa de 500 ml de sangue no Hemorio

Bram Stoker fazendo transfusões pelas mãos de Van Helsing

A literatura vampirizando todas as minhas possibilidades,

O calor das grandes cidades…

Alho e óleo

Medo e delírio no Rio de Janeiro

Todo mundo querendo sua fatia do bolo (ou o bolo inteiro)

Procurando alguém que ouça mais do que fale (alguém que se cale)

Tentando se estabelecer.

Talvez recomece a chover

Ah, esse cheiro avassalador da natureza!

Mosquitos e zumbidos

Girassóis e vagalumes cegos, confundindo ao invés de explicar

Voando acima do mar

Sob as cidades sonhadas por Italo Calvino,

Todas tão imperfeitas !

Mas a imperfeição tem algo de belo e lúcido…

Por isso a poesia biodegradável de Piva se faz necessária

A anti poesia de Parra

A redoma de vidro de Plath,

Uma tarde em uma biblioteca…

Tantas vezes, tantas vezes, tantas luzes que refletem no espelho chumbo da Bahia de Guanabara com suas sereias eivadas, primas de Netuno

Tantas vezes, tantas vezes, tantas tardes na cidade de enxofre e aço, eu já soube os nomes das ruas e me perdi em tantas outras

Foi tanto que me deixei levar pela cidade pólvora e suas promessas de fogos de artificio…

Nela, meu oficio, sempre foi ganhar a vida e perder grandes amores.