Estou correndo contra todas as noções de tempo/espaço
Sozinha na fruição do mundo como vontade e representação
Buscando alguma coisa, para sim para não
Preparada para todas as idiossincrasias (minhas) e dos outros,
Esperando o aparecimento da placa “só para loucos”,
Hesse nas veias enquanto encho uma bolsa de 500 ml de sangue no Hemorio
Bram Stoker fazendo transfusões pelas mãos de Van Helsing
A literatura vampirizando todas as minhas possibilidades,
O calor das grandes cidades…
Alho e óleo
Medo e delírio no Rio de Janeiro
Todo mundo querendo sua fatia do bolo (ou o bolo inteiro)
Procurando alguém que ouça mais do que fale (alguém que se cale)
Tentando se estabelecer.
Talvez recomece a chover
Ah, esse cheiro avassalador da natureza!
Mosquitos e zumbidos
Girassóis e vagalumes cegos, confundindo ao invés de explicar
Voando acima do mar
Sob as cidades sonhadas por Italo Calvino,
Todas tão imperfeitas !
Mas a imperfeição tem algo de belo e lúcido…
Por isso a poesia biodegradável de Piva se faz necessária
A anti poesia de Parra
A redoma de vidro de Plath,
Uma tarde em uma biblioteca…
Tantas vezes, tantas vezes, tantas luzes que refletem no espelho chumbo da Bahia de Guanabara com suas sereias eivadas, primas de Netuno
Tantas vezes, tantas vezes, tantas tardes na cidade de enxofre e aço, eu já soube os nomes das ruas e me perdi em tantas outras
Foi tanto que me deixei levar pela cidade pólvora e suas promessas de fogos de artificio…
Nela, meu oficio, sempre foi ganhar a vida e perder grandes amores.